Diabo Veste Prada

1 de Outubro de 2006 @ 21:38 - Cristina Dissat
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Foram quase 60 horas sem ligar meu laptop. Desde sexta que ele permaneceu desligado em cima da estante, mas não resisti em dividir uma sensação com alguém…. Acabei de ler (agora) o livro Diabo Veste Prada, que conta sobre um mundo parecido com o que vivi, na época que era jornalista de moda. Para quem não leu e nem viu um filme, trata-se de um massacre psicológico a uma iniciante da revista Runaway, feito pela uma editora de moda, Miranda Priestly, considerada uma verdadeira megera no mundo da moda.

Foi divertido (agora, lógico, porque na hora não foi) lembrar de várias situações, aparentemente presentes só em livros, que vivi, como quando recebi uma ligação do meu editor, pedindo que fosse imediatamente a sala dele, dois andares abaixo da nossa redação. No caminho, fui repassando tudo na mente. As fotos estavam ok, as modelos marcadas, estava redigindo meu texto, etc etc. O que eu teria feito de errado? Quando cheguei na sala dele, avisou (rindo e brincando com as outras pessoas em volta) que eu tinha o tamanho exato de uma atriz, que seria fotografada no dia seguinte no estúdio. Pediu para vestir uma das roupas, por cima da minha só para ter certeza que o tamanho estava correto. Vocês já podem imaginar a risadaria nas demais redações em volta, já que as salas eram todas separadas por vidro. Além dessas, e de muitas outras histórias que me identifiquei, lendo o livro (com certeza, vou ver o filme essa semana) comecei a observar meu atual corre-corre.

Foi bom avaliar coisas que estão se passando no meu dia-a-dia atualmente, tão estressantes quanto as dela. O nervoso que sinto quando o meu celular toca em horários nada comerciais e que, às vezes, me obrigam a tomar atitudes ou a trabalhar no horário em que preciso descansar. Só olhando de fora, por causa do livro, é que parei para analisar se algumas atitudes que venho tomando são realmente necessárias. Não vou entrar em detalhes aqui, já que isso não é um diário e nem um bom lugar (escondido) para desabafos.

Uma delas foi a que sempre disse a minha equipe que usasse esse espaço para se distrair um pouco, a escrever sobre coisas que gostem e que não são, necessariamente, sobre trabalho. Falar é fácil, mas só escrevi sobre trabalho até hoje. Se eu não tomo a iniciativa acho que ninguém também faria.

Como aqui não sou a editora, apenas pelos meus textos (sem data, sem prazo, sem prioridade) e opiniões, sem cobranças, resolvi começar.

Consegui não abrir meus emails desde sexta e não tenho idéia se me pediram algo urgentíssimo. Não trabalhei de verdade neste fim de semana (aliás que coisa louca para escrever, mas ….), só li, descansei, dormi, tentando brecar uma crise de enxaqueca que começou no sábado e (acho) consegui reverter, relaxando e curtindo um pouco. Acho que consegui. Vou acabar de escrever esse texto, com uma gostosa sensação de relaxamento que não sentia há dias e, prometo, só abro o outlook amanhã quando chegar na redação. Aí é hora de trabalhar e correr. Afinal eu mereço, ou melhor, preciso.

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